A percepção em ação no enjambement
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.11672Palavras-chave:
enjambement, modelos, percepção como ação, externalismo ativoResumo
A leitura do enjambement, usualmente descrito como um “desencontro” entre unidade sintática e padrão métrico fixado pela linha que limita o verso, deve envolver complexos processos cognitivos — percepção, reconhecimento de padrão, processamento de sentenças, antecipação, categorização. Para explicar esse fenômeno, os modelos se revezam entre versões mais ou menos internalistas e computacionais — leitores de poesia versificada são processadores desincorporados, “sanduíches cognitivos” (cognitive sandwiches, cf. Hurley 2008) do tipo input → processamento → output, livres de hábitos (culturais, físicos, sensório-motores), de artefatos sociotécnicos e de contextos. Como algumas teses do “externalismo cognitivo ativo”, especialmente relacionadas à “percepção como ação” (Alva Noë) e à “cognição como predição” (Andy Clark), podem ajudar-nos a situar o enjambement no paradigma da cognição 4E (embodied, embedded, enacted, extended cognition)? Estou mais interessado nas implicações que certas premissas (4E) podem ter no domínio de discussão sobre a cognição estendida do verso, e da quebra do verso.
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