A comparação além da oração: o uso de construções imperativas de atitude proposicional
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.8110Palavras-chave:
atitude proposicional, comparação, Construction GrammarResumo
Na última década, alguns trabalhos têm discutido as possíveis manifestações linguísticas da comparação no Português Brasileiro (PB), propondo novas maneiras de categorizá-las (Tota, 2013; Thompson, 2019; Rodrigues e Thompson, 2020; Siqueira e Tota, 2022). Em geral, essas propostas sinalizam o quanto as gramáticas normativas e outros tipos de descrição do PB não elencam suficientemente todas as manifestações linguísticas da comparação, aquém e além do nível oracional. Diante disso, temos investigado o comportamento sintático, semântico e discursivo daquelas que chamamos de “construções imperativas de atitude proposicional”. Partimos aqui de duas hipóteses: 1) a comparação não é mera categoria semântica, mas advém de um esquema cognitivo mais amplo; 2) enunciados introduzidos por alguns verbos epistêmicos – “pensar”, “imaginar”, “supor” – podem, se integrados à conjunção subordinativa que, funcionar como marcadores do discurso e mediar relações circunstanciais de comparação. Assim, dizer “Você precisa ter mais confiança quando joga bola, como se fosse o Rei do Futebol, o Pelé.” ou “Você precisa ter mais confiança quando joga bola. Imagine que você é o Rei do Futebol, o Pelé.” seriam duas possibilidades de expressar comparação. No primeiro caso, há um articulador canônico, “como se”, que torna a nuance semântica evidente. Já no segundo caso, a relação entre os períodos não seleciona um conector comparativo, mas apresenta construção do tipo [Vepis que]: ela constrói um espaço de hipótese, que é cotejado ao elemento mencionado anteriormente no mesmo enunciado. As fundamentações deste estudo recorrem à Linguística Cognitiva e à Gramática de Construções Baseada no Uso (GCBU). Mais especificamente, consideram-se aqui as contribuições de Langacker (1987, 2008), Johnson (1987) e Hilpert (2014), no sentido de delinear as dimensões estruturais, discursivas e cognitivas da referida construção. Tais perspectivas teóricas alicerçaram nossas escolhas metodológicas, principalmente no que se refere à convencionalidade e à frequência dos usos linguísticos. Inicialmente, aplicamos estratégias comuns à Linguística de Corpus, a fim de alçar dados reais e suficientemente representativos. Foram extraídas, pela plataforma Corpus do Português, 9679 ocorrências, dentre as quais 1000 amostras foram selecionadas para análise. Numa segunda etapa, desenvolvemos uma tarefa psicolinguística de compreensão, cujos itens do experimento foram elaborados a partir dos resultados da análise do corpus. O objetivo foi medir estatisticamente, em uma amostra de usuários da língua, o quanto a comparação pode ser percebida quando há este tipo de construções imperativas. Com o experimento, os usuários também puderam indicar se consideravam essas estruturas necessárias (ou não) para identificar a comparabilidade na relação entre as orações e frases. Ao serem cruzados os resultados das análises, chamou atenção a quase totalidade de construções em contextos de exemplificação (frames de exemplo), comuns também a construções comparativas canônicas. Foram esses também os itens que apresentaram índices mais altos de comparabilidade na tarefa de compreensão, se correlacionados com as outras realizações da mesma construção. As análises também indicaram predileção entre o uso dos verbos, de modo que “imaginar” e “supor” sejam os preferidos ao se estabelecerem comparações hipotéticas.
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