A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO: O “Evolucionismo” de Allan Kardec
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.8049Palavras-chave:
Espiritismo, Allan Kardec, Racismo Religioso, EvolucionismoResumo
Acreditamos que em um quadro paradigmático, uma religião é representativa da face social de seus seguidores. Neste artigo ensejamos pensar a questão racial no seio dos primórdios da religião espírita, codificada por Allan Kardec. O espiritismo, na sua concepção, pensava em interseccionar perfeitamente a ciência, a religião e a filosofia. Contudo, nessa fricção perigosa de maneiras de olhar o mundo, Kardec foi por diversas vezes, e, reiteradamente, racista. No afã de ser aceito pela comunidade científica do século XIX, Kardec alocou o evolucionismo racial em seu discurso, e assim, terminou por conduzir a religião espírita à um lugar paratópico. Dessa forma, o espiritismo como qualquer outra religião, se mostra estar baseado muito mais no discurso, do que na ciência empírica. Tentaremos enquadrar Allan Kardec enquanto um homem de seu tempo, e mais especificamente, um cientista de seu tempo. Se trata de uma pesquisa qualitativa que tenta fazer um escaneamento geral de escritos de Allan Kardec. Juntamente com relatos do próprio autor deste artigo, que está inserido no contexto espírita brasileiro ao longo de muitos anos. Essa pesquisa só poderia ser feita dessa forma, pois, o racismo nem sempre se apresenta nos cultos religiosos todos os dias e, nem sempre de forma clara. Devemos lembrar que falas soltas nos cultos religiosos, que se não alocadas dentro do discurso acadêmico do racismo, parecem não ser de grande contrariedade. Dessa forma, pensamos que os cultos religiosos espíritas de hoje, ainda refletem à suas maneiras aprofundadas ou não, o propagado evolucionismo racial de Allan Kardec.
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