CORPOS, MOVIMENTOS E REFÚGIO: POR UM MAPEAMENTO DE TESSITURAS LINGUÍSTICO-FILOSÓFICAS NAS AULAS DE LÍNGUAS
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18547Palavras-chave:
Análise cartográfica do discurso, Educação com imigrantes e refugiados, Educação linguísticaResumo
Diante da constatação de que a presença de estudantes imigrantes e refugiados tem reconfigurado o cenário educacional no Brasil, este trabalho se propõe a refletir sobre a potência do encontro entre os sujeitos que coabitam o espaço escolar a partir da ótica espinosana e deleuziana. Mapeiam-se, para tanto, rotas de leitura de textos literários que contribuam para expandir, nas aulas de línguas, espaço de afetação de professores e estudantes, preparando os corpos para habitar a diferença e, sobretudo, para a alegria do bom encontro dentro (e fora) da escola. Adota-se a perspectiva da Análise Cartográfica do Discurso (Deusdara; Rocha, 2021) em convergência com as Filosofias da Diferença (Deuleuze, Guattarri, 2011), mobilizando conceitos como potência, afetação, heterotopia e desterritorialização para rastrear o funcionamento discursivo e os efeitos de sentido em materialidades verbo-visuais. O corpus é constituído pelas obras literárias infantojuvenis Eloísa e os Bichos e Migrar. Os resultados indicam que os textos podem atuar como dispositivos estético-políticos, ressaltando a força e o ato de coragem que constituem o ato de migrar, contra leituras essencializadas da infância migrante. Enquanto Migrar expõe a crueza da travessia e o silenciamento imposto pelas fronteiras, Eloísa e os Bichos institui o espaço escolar como um território heterotópico central para a mutação dos corpos e a reterritorialização do sujeito.
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