Usos Etnofarmacológicos de Plantas Medicinais de Origem Africana na Medicina Tradicional Afro-Brasileira: Implicações para a Medicina Integrativa, a Conservação Biocultural e a Saúde Global
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18147Palavras-chave:
etnofarmacologia, medicina tradicional africana, medicina integrativa, plantas medicinais, diáspora africana, comunidades afro-brasileiras, coservação bioculturalResumo
A Medicina Tradicional Africana constitui um conjunto plural de sistemas de cuidado que articulam dimensões biológicas, sociais, culturais, espirituais e ambientais da saúde. Durante a diáspora africana, conhecimentos etnomédicos, espécies vegetais e práticas de cuidado foram deslocados, preservados, adaptados e ressignificados em diferentes territórios das Américas, inclusive no Brasil.
No contexto afro-brasileiro, terreiros, quintais sagrados e outros espaços comunitários podem conservar espécies de uso medicinal, alimentar, litúrgico e simbólico, mantendo também conhecimentos sobre identificação, cultivo, preparo e utilização. A etnofarmacologia oferece uma interface relevante entre esses conhecimentos e a investigação científica, mas exige distinguir evidências de uso tradicional, dados fitoquímicos, resultados experimentais e eficácia clínica.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que as medicinas tradicionais sejam incorporadas aos sistemas de saúde de maneira segura, baseada em evidências e culturalmente apropriada. No Brasil, essa discussão dialoga com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS e com a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Entretanto, ainda são limitadas as sínteses que articulam espécies de origem africana preservadas em comunidades afro-brasileiras com dados etnobotânicos, fitoquímicos, farmacológicos, ritual-terapêuticos e bioculturais.
Diante dessa lacuna, este estudo realizou uma revisão etnofarmacológica integrativa de nove espécies medicinais de origem africana preservadas em comunidades tradicionais afro-brasileiras. O objetivo foi analisar seus usos tradicionais, composição fitoquímica, evidências farmacológicas, funções ritual-terapêuticas e permanência no contexto da diáspora, discutindo criticamente possíveis interfaces com a medicina integrativa e a conservação biocultural.
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