Do vidro ao concreto: configuração das dinâmicas de desigualdade de gênero e raça no serviço público do Distrito Federal
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17848Palavras-chave:
desigualdade racial e de gênero, educação, mobilidade, ascensão social, trajetóriasResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar as trajetórias de mulheres negras no serviço público do Distrito Federal, tomando como referência tanto a dimensão estrutural das desigualdades de gênero e raça quanto os percursos individuais que marcam suas experiências de mobilidade social. Parte-se da ideia de que a educação ocupa papel central nesse processo, configurando-se como recurso e possibilidade de ascensão social em um contexto historicamente marcado pela exclusão da população negra no país. A metodologia baseou-se em entrevistas semiestruturadas com quatro servidoras públicas negras, cujas narrativas revelam que, apesar de suas conquistas educacionais e profissionais, as opressões interseccionais impõem barreiras rígidas à ocupação plena desses espaços. Observa-se que o entrelaçamento das categorias de gênero e raça configura desigualdades que perpassam suas trajetórias, de modo que, ainda que alcancem elevados níveis educacionais e ocupem determinadas posições profissionais, essas mulheres permanecem submetidas a formas de opressão que delimitam os lugares socialmente possíveis e impõem limites à sua plena ascensão.
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