“O passado nunca nos abandona”: a luta pela terra, continuidade histórica e vozes narrativas em Torto Arado
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17773Palavras-chave:
sociologia da literatura, torto arado, identidade quilombola, terra, territórioResumo
Este trabalho analisa Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Júnior, a partir da sociologia da literatura, investigando como o romance articula luta pela terra, continuidade histórica da expropriação e construção do pertencimento quilombola por meio de suas escolhas formais. A análise concentra-se nas narradoras Bibiana, Belonísia e Santa Rita Pescadeira, observando como suas perspectivas em primeira pessoa organizam diferentes formas de perceber, recordar e interpretar a experiência social em Água Negra. Metodologicamente, desenvolve-se uma leitura textual e interpretativa de trechos selecionados do romance em diálogo com a sociologia da literatura, os estudos rurais e o pensamento social brasileiro. Argumenta-se que a terra constitui um eixo histórico e simbólico da narrativa, marcado pela tensão entre propriedade jurídica e pertencimento vivido. A alternância das vozes aproxima corpo, silêncio e ancestralidade da memória coletiva da comunidade, enquanto a afirmação “somos quilombolas” reorganiza experiências de trabalho, permanência e expropriação em uma linguagem política de autoatribuição e reconhecimento. O romance articula, assim, forma narrativa e experiência social na elaboração de uma identidade coletiva vinculada ao território.
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