As passagens dos fundos da ficção policial: paródia, camp e carnaval na ficção de James Lear
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261162Palavras-chave:
ficção policial, paródia, camp, carnavalização, James LearResumo
The Back Passage (2006), de James Lear, circulou como ficção erótica gay, mas ainda não recebeu atenção crítica substancial. Este artigo analisa o romance como uma paródia da ficção policial, argumentando que ele engaja as convenções do gênero – de Poe e Doyle ao mistério de casa de campo da Era de Ouro –, e não um único subgênero. Com base na teoria da paródia de Hutcheon (1985), na carnavalização de Bakhtin (2025) e na noção de camp de Sontag (2013), mostra-se que o romance instala as convenções clássicas da investigação (o detetive racional, o assistente leal, o círculo fechado de suspeitos, a topografia fechada da casa de campo) e as reescreve em termos eróticos. Cada conceito opera em um nível: a paródia como operação formal, a carnavalização como inversão sociossimbólica e o camp como registro queer. O romance, conclui-se, não abandona o gênero, mas o reocupa, trazendo à superfície uma intimidade homoerótica que a crítica há muito lê como subtexto da tradição.
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