Corpos conectados, dados vulneráveis: vigilância digital reprodutiva e desigualdade de gênero no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17661Palavras-chave:
dataficação reprodutiva, capitalismo de vigilância, biopolítica, proteção de dados, raça, persecução criminalResumo
Este artigo objetiva analisar os riscos decorrentes da dataficação reprodutiva a partir do aplicativo Flo Health, tomando como objetos empíricos o processo administrativo FTC File n. 192-3133 e a ação judicial Frasco v. Flo Health. Busca-se compreender como a circulação de dados reprodutivos entre aplicativos e empresas terceiras desafia os instrumentos de proteção de dados e como os riscos decorrentes desses processos se distribuem de forma desigual no contexto brasileiro. Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, com análise documental dos dois casos estadunidenses, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), de documentos da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e de dados sobre persecução penal e desigualdade raciais no Brasil. A análise articula as noções de capitalismo de vigilância e o biopoder aos estudos sobre racialização da tecnologia. Conclui-se que a existência de mecanismos regulatórios, embora necessária, não impede a circulação e os usos posteriores de informações reprodutivas, nem responde adequadamente à distribuição desigual de seus riscos. A proteção centrada em uma usuária abstrata, confiando em mecanismos individuais de autodeterminação, mostra-se insuficiente diante de vulnerabilidades estruturais atravessadas por gênero, raça e classe.
Downloads
Enviado
Postado
Como Citar
Série
Copyright (c) 2026 Silvia Maria de Paula Nascimento

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Plaudit
Declaração de dados
-
Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito


