Da morte da metamorfose à morte como metamorfose: endereçamentos extra-humanos de Hilda Hilst
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261129Palavras-chave:
Hilda Hilst, morte, endereçamento, poesia brasileiraResumo
Este trabalho toma por objeto o livro Da morte. Odes mínimas, publicado por Hilda Hilst em 1980 para, num primeiro momento, mapear, segundo as balizas de Jonathan Culler em Theory of the lyric, o endereçamento do poema à morte e o modo de mobilizar, para tanto, a apóstrofe, o que gera um descentramento do humano. Focando especialmente no poema “XVI”, no qual o travessão rompe com o “eu lírico”, tornando-o um “tu” para o outro, examinaremos o diálogo da obra com a tradição lírica brasileira, notadamente Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Machado de Assis. Em conclusão, recorreremos a autores como Emanuele Coccia e Maurice Maeterlink para demonstrar como Hilst matiza a morte como metamorfose na qual o humano adquire posição simétrica à natureza, sendo concomitantemente sujeito e objeto, em contraponto ao trato histórico da morte no capitalismo, na qual ela chega a ser negada.
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