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Fechamento social e diversidade ocupacional no Legislativo federal brasileiro: comparando Câmara e Senado (1998-2022)

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17390

Palavras-chave:

diversidade ocupacional, recrutamento parlamentar, profissionalização política, Câmara dos Deputados, Senado Federal

Resumo

Este paper examina a expectativa institucionalista de que a representação proporcional e o maior número de cadeiras da Câmara dos Deputados produziriam uma composição ocupacional mais diversificada do que a regra majoritária do Senado Federal. A análise compreende 3.861 registros de deputados e senadores eleitos entre 1998 e 2022. Para comparar Casas com números muito diferentes de integrantes, aplicamos a técnica de rarefação, que permite confrontar grupos de igual tamanho, e os índices de Simpson e Shannon. Essas duas medidas, consagradas na ecologia de populações para o estudo da biodiversidade, avaliam o equilíbrio e a variedade das categorias profissionais representadas no Legislativo. Os resultados contrariam a expectativa institucionalista: a Câmara não apresenta maior diversidade ocupacional, e os indicadores favorecem o Senado em seis das sete eleições analisadas. Esse padrão, porém, muda conforme a eleição e o grau de detalhamento da classificação das ocupações. O índice de Theil, que mede quanto a composição ocupacional varia entre os blocos ideológicos, mostra ainda que esquerda e direita apresentam perfis ocupacionais pouco diferenciados nas duas Casas, contrariando a expectativa de que as divisões ideológicas se traduziriam em bases profissionais de recrutamento claramente distintas. Os dados revelam também uma transformação expressiva no perfil dos eleitos: a proporção dos que declaram ocupações políticas aumentou de aproximadamente 25% para mais de 50% no período, sinalizando o avanço da profissionalização política. Em conjunto, os achados mostram que as diferenças entre as regras eleitorais não se traduzem automaticamente em maior pluralidade ocupacional. A explicação para os perfis encontrados deve considerar também, no futuro, o perfil social de quem disputa as eleições, os critérios utilizados pelos partidos para escolher seus candidatos e a circulação de políticos profissionais entre as Casas, sobretudo o recrutamento de senadores entre ex-deputados federais.

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Biografia do Autor

Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná

Adriano Codato é professor de Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR). É editor-chefe da Revista de Sociologia e Política (https://www.scielo.br/j/rsocp/), coordena o INCT Representação e Legitimidade Democrática - ReDem (https://redem.tec.br/), e o Observatório de elites políticas e sociais do Brasil (https://observatoryelites.ong.br/). É pesquisador do CNPq (1C). Foi coordenador acadêmico da Área de Ciência Política e Relações Internacionais da CAPES (2018-2022). Foi também presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) entre 2023-2024. Seus temas de pesquisa são: representação política, elites políticas, elites estatais, carreiras políticas e análise do campo científico.

Enviado

10/08/2026

Postado

11/08/2026

Como Citar

Fechamento social e diversidade ocupacional no Legislativo federal brasileiro: comparando Câmara e Senado (1998-2022). (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17390

Série

Ciências Humanas

Dados de financiamento

Plaudit

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