O Funil de Acesso: a forma da desigualdade na infraestrutura escolar brasileira
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17351Palavras-chave:
Infraestrutura escolar, Desigualdade socioespacial, Formação socioespacial, Funil de acesso, Milton SantosResumo
Este artigo lê a desigualdade da infraestrutura escolar brasileira não como simples ausência de recursos, mas como uma forma. Mobilizando a geografia de Milton Santos, toma a infraestrutura como o sistema de objetos de que depende a ação de formar e examina o modo como ele se distribui pelo território. Propõe o conceito de funil de acesso: o estreitamento regular do acesso às condições materiais da escolarização conforme aumenta a exigência de sustentação dos recursos. A partir do Censo Escolar de 2025, ordenam-se os itens de infraestrutura por exigência, segundo suas dimensões material, institucional e pessoal, e confronta-se essa ordem com a dispersão de sua presença entre as regiões. As duas ordens convergem fortemente, e a convergência se repete, idêntica, nos anos iniciais e no ensino médio, mostrando que a forma do funil se conserva ao longo do percurso escolar. O afunilamento é mais severo na base, onde a desigualdade regional é mais aguda. Conclui-se que a desigualdade infraestrutural possui uma forma dotada de lógica, que acompanha a geografia desigual do desenvolvimento sem se reduzir a ela, e que condiciona, uma vez sedimentada, o que cada escola pode oferecer.
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