Ganhar a vida nas ruas: Estratégias de sobrevivência e ação coletiva em Montevidéu
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17194Palavras-chave:
situação de rua, sustento econômico, políticas públicas, solidariedade, UruguaiResumo
O artigo foca nas formas de ganhar a vida de um grupo de pessoas em situação de rua em Montevidéu. Algumas dessas pessoas organizaram o coletivo Ni todo está perdido (NITEP), "gente de rua", ressignificando a estigmatização da situação de rua. Além das ações para uma melhoria dos aspectos simbólicos, o NITEP tem empreendido ações políticas para o acesso à moradia, demandando ao Estado a melhoria dos abrigos para pessoas em situação de rua e produzindo iniciativas para a provisão econômica de seus integrantes. Com base em um processo de investigação etnográfica de longo prazo, propomos relacionar e compreender as formas de ganhar a vida em distintas dimensões: (a) morais e de autoestima; (b) formas de solidariedade tanto entre pessoas que habitam a rua quanto com outros coletivos sociais, comerciantes e vizinhos; (c) o lugar dos direitos humanos, das políticas públicas e da ação estatal. Da mesma forma, levamos em conta a temporalidade na qual essas pessoas vivem, os tempos destinados a "ganhar a vida", os tempos de espera para obter serviços das políticas públicas e os tempos marcados pelas expulsões de distintos lugares, bem como os conflitos para obter espaços seja em feiras, para trabalhar como guardadores de carros ou reciclar objetos descartados. Finalmente, discutimos as relações entre as formas de ganhar a vida individualmente com a solidariedade organizada coletivamente e as políticas públicas.
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