Do grito da terra ao recado do morro: ouvir e habitar o fim do mundo
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261151Palavras-chave:
Conan Doyle, Guimarães Rosa, crise climática, ficções geológicas, filosofia da imanênciaResumo
O artigo explora dois textos ficcionais modernos, When the earth screamed, de Conan Doyle (1928), e O recado do morro, de Guimarães Rosa (1956), contrapondo dois regimes ficcionais em que se dá uma escuta geológica: o grito e o recado. No conto de Doyle, tratada como organismo feminino e violentamente perfurada por um cientista moderno, a Terra solta um grito pavoroso e ameaçador que denuncia a hybris extrativista. Já em Rosa, o Morro da Garça sussurra um recado em aberto, que entra em deriva, perambula, vai-se transformando em múltiplas traduções e traições, costurando vínculos. Diferente do grito traumático, o recado é polifônico; produz uma relação imanente com a terra e seus viventes. Essa reflexão dialoga com urgências do pensamento atual, tanto europeu quanto brasileiro, que procura saídas e novos modos de aterrar em um mundo ameaçado pela crise climática e suas implicações.
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Copyright (c) 2026 Maria Cristina Franco Ferraz, Roberto Robalinho Lima

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Números do Financiamento 306262/2024-0 -
Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
Números do Financiamento 151094/2023-3
Plaudit
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