Gestão dos riscos no ambiente de trabalho e a nova NR-1 como estratégia de prevenção psicossocial: um enfoque sobre a saúde mental e a qualidade de vida no trabalho
DOI:
https://doi.org/10.1590/1679-395120250171Palavras-chave:
norma regulamentadora, saúde ocupacional, segurança do trabalho, sistema de gestão da qualidadeResumo
O objetivo desta pesquisa foi analisar como a nova versão da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1) e a Gestão dos Riscos no Ambiente de Trabalho (GRO) podem ser utilizados como estratégias de prevenção psicossocial, com foco na promoção do bem-estar psicológico e na qualidade de vida no trabalho. Tratou-se de uma revisão integrativa de literatura, a qual foi orientada pela estratégia PICO, com levantamento realizado nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Web of Science e Google Acadêmico. Para o levantamento dos artigos, foram utilizados descritores como “qualidade de vida no trabalho”, “saúde mental”, “psicossocial”, “NR-1” e “gerenciamento de riscos ocupacionais”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Os critérios de inclusão abrangeram artigos completos, gratuitos, em português, de autoria brasileira e publicados no primeiro semestre de 2025. Os resultados apontaram que, embora a nova NR-1 represente um avanço normativo ao reconhecer os fatores psicossociais como parte da segurança ocupacional, sua adoção nas organizações no Brasil ainda é limitada. Entre os principais entraves, destacam-se a escassez de profissionais capacitados, a resistência institucional em tratar o bem-estar psicológico como responsabilidade organizacional e a ausência de instrumentos padronizados tanto para gerir a inclusão dos fatores psicossociais de risco quanto para auditar tais fatores. Assim, a nova NR-1 deve ser aplicada pelas organizações de forma integrada e multidimensional, indo além do simples cumprimento legal. A implementação da norma exige que as empresas desenvolvam capacidades técnicas para identificar, avaliar e monitorar riscos relacionados ao bem-estar psicológico, incorporando esses aspectos como prioridades nas políticas internas e nas práticas diárias. Além disso, é necessária uma mudança cultural que valorize a escuta ativa dos trabalhadores e o reconhecimento das experiências subjetivas, bem como uma utilização dos dados para orientar intervenções concretas, evitando abordagens burocráticas ou reducionistas que desconsiderem a complexidade do sofrimento laboral. Assim, apesar dos desafios existentes, a efetiva aplicação da nova NR-1 representa uma oportunidade para transformar a gestão da saúde ocupacional, promovendo ambientes laborais mais humanizados, desde que acompanhada de capacitação técnica, mudança cultural e maior articulação interdisciplinar.
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