Entre a intrusão e a desaceleração: contribuições de Isabelle Stengers sobre a ciência em tempos de catástrofes
DOI:
https://doi.org/10.1590/0101-3173.2026.v49.n2.e026010Palavras-chave:
Isabelle Stengers, Civilizar , Ciência, DesaceleraçãoResumo
O presente artigo analisa a proposta de Isabelle Stengers para a desaceleração das ciências enquanto projeto civilizador para a ciência em tempos de catástrofes. O problema central reside no que a filósofa belga chama de intrusão de Gaia, que exige de nós a reflexão sobre valores e práticas que fundamentam a ciência. Para isso, recuperamos as propostas stengerianas de desaceleração e civilização, em uma análise que parte desde sua invenção Moderna Ocidental até suas implicações contemporâneas, em três frentes: 1. pela delimitação do problema, com sua definição de Gaia, bem como a relação entre humor e a desaceleração, 2. pela formação e desenvolvimento da comunidade científica desde a Modernidade, como elemento fundamental para o estado crítico das ciências e 3. por questões de gênero, enquanto temas que embasam seus argumentos acerca do que corresponderia a fibra do pesquisador, isto é o elemento moral que caracteriza o sujeito moderno das ciências. Para Stengers, uma “ciência lenta” não se trata de um apelo romântico a um modo anterior de fazer ciência ou mesmo mais inclusivo, mas sim de uma urgência política, uma cosmopolítica, para forjar novos pactos sociais que libertem a pesquisa da lógica neoliberal e permitam a cooperação com outros saberes, isto é, contra a barbárie.
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