Interrogar Diagnósticos no Sul Global
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16175Palavras-chave:
Diagnóstico Psiquiátrico, Sul Global, Interseccionalidade, Medicalização da Infância, Estudos da DeficiênciaResumo
O presente artigo propõe uma análise crítica dos processos de elaboração e uso dos diagnósticos psiquiátricos a partir da perspectiva do Sul Global, situando-os como ferramentas historicamente atravessadas por normas hegemônicas, raciais, de gênero e capacitistas. Inicialmente, problematiza-se a ontologia da doença e a ilusão de neutralidade das classificações médicas, recorrendo ao conceito de "tipos interativos" e à recusa do modelo individual da deficiência em favor da Clínica do Sujeito e do modelo social. Em seguida, investiga-se a captura mercadológica da diversidade humana por meio do "Complexo Industrial do Autismo", evidenciando como as retóricas do medo, da esperança e do cientificismo operam como uma cortina de fumaça que individualiza o cuidado e oblitera as desigualdades estruturais. A lente interseccional é então mobilizada para interrogar a cor e o gênero das classificações, demonstrando como a branquitude se estabelece como norma universal invisível e como categorias psiquiátricas operam para patologizar a dissidência de gênero e criminalizar corpos negros. Por fim, o estudo aterrissa na realidade do acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil, denunciando a produção das "crianças-resíduos" ou "inadotáveis" — sujeitos cujas trajetórias de vulnerabilidade são reduzidas a laudos que justificam o asilamento crônico e a contenção química. Conclui-se destacando a urgência do rompimento do silêncio acadêmico sobre as populações institucionalizadas e a necessidade de se resgatar um Diagnóstico de caráter narrativo, relacional e emancipatório, aliado à implosão das opressões.
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