Cartografias do silêncio: narrativa audiovisual, deslocamentos forçados e regimes de visibilidade
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16156Palavras-chave:
memória, audiovisual, TestemunhoResumo
O presente artigo propõe uma reflexão crítica sobre o que denominamos Cartografias do Silêncio — um mapeamento das formas pelas quais experiências e vozes de populações deslocadas são sistematicamente apagadas ou invisibilizadas nas dinâmicas de poder que organizam as narrativas globais. Partindo da imagem do menino sírio Aylan Kurdi como marco simbólico, o texto problematiza a incapacidade das representações visuais contemporâneas de mobilizar ação política efetiva diante de catástrofes humanitárias amplamente documentadas. A análise articula três eixos conceituais — cartografia, silêncio e invisibilidade — para examinar como a organização geopolítica do mundo produz zonas de exceção nas quais refugiados e deslocados são criminalizados e confinados. O artigo recorre ao documentário No Other Land (2024) como exemplo de contranarrativa audiovisual, discutindo o papel da câmera como instrumento de testemunho contra o apagamento histórico e a assimetria estrutural revelada pela amizade entre o ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham. Em diálogo com Susan Sontag, Georges Didi-Huberman, Achille Mbembe, Veena Das e Edward Said, o texto defende que as narrativas audiovisuais podem funcionar como fontes históricas e arquivos de denúncia. Propõe ainda o conceito de zonas necrodiplomáticas para descrever os territórios de exceção produzidos pela cumplicidade entre Estados imperialistas e suas estruturas de comunicação.
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