Entre bem-estar e distinção: Gênero, raça e colonialidade na prática do Yoga em uma capital brasileira
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15887Palavras-chave:
Yoga, Gênero, Raça, DecolonialidadeResumo
O Yoga tem sido amplamente difundido no Ocidente como uma prática universal de promoção do bem-estar e autocuidado. Contudo, sua incorporação contemporânea ocorre em contextos marcados por desigualdades estruturais que tensionam tal pretensão universalizante. Este estudo analisou o perfil sociodemográfico e as motivações de praticantes de Yoga em uma capital do Centro-Oeste brasileiro, interpretando os achados com base em referenciais interseccionais e decoloniais. Trata-se de pesquisa exploratória e descritiva, realizada com 102 praticantes vinculados a estúdios e espaços privados de Yoga, por meio de questionário on-line semiestruturado. Os dados sociodemográficos foram submetidos à estatística descritiva e as respostas abertas sobre motivação à análise categorial temática. Observou-se predomínio de mulheres cisgênero (94,1%), pessoas brancas (64,7%) e indivíduos com ensino superior ou pós-graduação (68,7%). As principais motivações para a prática relacionaram-se à saúde mental, bem-estar e qualidade de vida. Os achados indicam que, embora discursivamente apresentado como prática universal, o Yoga configura-se como prática socialmente estratificada, concentrada em grupos com maior capital cultural e marcada por processos de feminização, racialização e elitização. Conclui-se que sua configuração contemporânea reproduz desigualdades estruturais de gênero, raça e classe, evidenciando a necessidade de problematizar criticamente os processos de apropriação, mercantilização e medicalização das práticas corporais no campo da saúde.
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