Crises e estratégias de abertura na inteligência brasileira (1990-2025)
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15803Palavras-chave:
reforma da inteligência, cultura de inteligência, BrasilResumo
Neste artigo, investigamos a relação entre crises institucionais e a evolução das estratégias de abertura na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) de 1990 a 2025. Utilizando um conjunto de dados original de 62 iniciativas de engajamento público, nosso estudo mostra que a democratização da inteligência não é uma trajetória linear, mas um fenômeno reativo mediado por equilíbrios pontuados. Ao contrastar duas grandes crises institucionais, nossa análise revela uma trajetória na comunicação da agência caracterizada por dois ciclos distintos. Após a crise de 2008, um diagnóstico cultural predominante levou ao isolamento burocrático e a estratégias defensivas e pedagógicas de conscientização, concebidas para mitigar o estigma autoritário da agência predecessora. Em contrapartida, a crise existencial de 2022-2023 levou a um diagnóstico estrutural. Incapaz de se refugiar no sigilo, a agência adotou um modelo inovador de coprodução, priorizando parcerias com a academia com o objetivo de reconstruir a legitimidade democrática por meio da autoridade epistêmica. Em última análise, argumentamos que a abertura funciona como um repertório estratégico de sobrevivência, passando, no caso analisado, da desmistificação unilateral ao engajamento dialógico em resposta à vulnerabilidade institucional aguda.
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