Sobre a intenção do autor em Ricoeur: um olhar desde o testemunho e a autobiografia
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14993Palavras-chave:
Intenção Autoral, Paul Ricoeur, Hermenêutica, Testemunho, Identidade Narrativa, (Auto)BiografiaResumo
Este artigo investiga a reconfiguração da noção de intenção do autor na filosofia hermenêutica de Paul Ricoeur, situando-a no debate moderno entre a sacralização romântica da autoria e sua dissolução estruturalista e pós-estruturalista. Em contraste com as alternativas representadas por Schleiermacher e Dilthey, de um lado, e por Barthes e Foucault, de outro, sustenta-se que Ricoeur propõe uma mediação crítica e afirmativa, capaz de evitar tanto o psicologismo quanto a exclusão do autor. A partir das categorias de testemunho e autobiografia, o estudo demonstra que a intenção autoral não deve ser compreendida como um dado psicológico externo ao texto, mas como um gesto interpretativo originário, inscrito no próprio ato de escrever. Em especial, a análise da autobiografia permite compreender a intenção como uma forma radical de testemunho de si, na qual o autor se constitui simultaneamente como narrador, personagem e testemunha de sua própria vida, projetando uma identidade narrativa marcada pela responsabilidade ética e pela busca de coerência. Argumenta-se, assim, que, em Ricoeur, a intenção inaugura a cadeia interpretativa ao organizar o mundo do texto e abrir um horizonte de sentido para o leitor, sem negar a autonomia textual nem a pluralidade das interpretações. A proposta ricoeuriana apresenta-se, desse modo, como uma contribuição relevante aos debates contemporâneos sobre autoria, interpretação e identidade narrativa.
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