A Mudança Linguística como Cognição e Ação Conjunta: Automatização, Inferência e Identidade na Gramaticalização de ‘tipo’ no Português Brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14990Palavras-chave:
Gramticalização, Linguística baseada no Uso, Linguística Sociocognitiva, Mudança Linguística, TipoResumo
Este artigo investiga a gramaticalização do item lexical tipo no Português Brasileiro Contemporâneo,
compreendendo a mudança linguística como um processo simultaneamente cognitivo e social. Partindo da
constatação de sua ampla multifuncionalidade em registros coloquiais e digitais, o estudo propõe que os usos de
tipo, como aproximador, hedge, quotativo e marcador discursivo, não configuram uma polissemia aleatória, mas
uma trajetória unidirecional de gramaticalização em curso. Teoricamente, o trabalho articula a Linguística
Diacrônica Baseada no Uso, conforme Bybee (2007), que explica a mudança por meio de mecanismos como
automatização, inferência pragmática, subjetivização e decategorialização, à Linguística Sociocognitiva de Croft
(2009), que concebe a linguagem como ação conjunta e enfatiza o papel da variação na verbalização e da convenção
em comunidades de prática. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa-exploratória, com dados
extraídos de postagens do Twitter (atual X), interpretados à luz da intuição linguística dos pesquisadores. A análise
evidencia que a difusão de tipo é impulsionada tanto por sua eficiência cognitiva na gestão da imprecisão e da
atitude do falante quanto por sua indexicalidade social, funcionando como marcador identitário em contextos
interacionais informais. Conclui-se que a integração entre cognição e dinâmica social é fundamental para
compreender a mudança linguística no português brasileiro contemporâneo.
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