Expectativa de Vida Laboral Saudável em um Brasil Envelhecido e Desigual, uma Perspectiva Socioeconômica
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14940Palavras-chave:
expectativa de vida, saúde, trabalho, desigualdade, envelhecimento populacionalResumo
As idades de aposentadoria estão aumentando em muitos países para lidar com os desafios do envelhecimento populacional e da maior longevidade. No entanto, os ganhos recentes nas expectativas de vida não têm sido acompanhados, de forma proporcional, por melhorias nas condições de saúde e persistem desigualdades significativas de morbidade e mortalidade na população. As oportunidades de emprego e as dinâmicas familiares de divisão do trabalho doméstico e de cuidados afetam de maneira distinta homens e mulheres de diferentes estratos socioeconômicos. O debate sobre a extensão da vida laboral no Brasil exige uma abordagem integrada entre saúde, trabalho, educação e proteção social, além de um olhar atento para as desigualdades. Esta tese investiga as diferenças na expectativa de vida laboral saudável por gênero e nível de escolaridade entre brasileiros com 50 anos ou mais, usando a onda 1 (2015-2016) do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI) e fornecendo as primeiras estimativas no Brasil de expectativas de vida combinando atividade econômica, aposentadoria e saúde. Os resultados demonstram claras desigualdades de gênero e por níveis de escolaridade. A saúde é o principal determinante da expectativa de vida ativa entre os homens, exercendo influência mais expressiva do que a escolaridade. Entre as mulheres, quanto maior a escolaridade, maior o tempo de vida esperado em atividade; ainda assim, em todos os níveis educacionais, elas vivem menos tempo ativas e saudáveis e passam mais anos inativas e com saúde comprometida. Mesmo podendo se aposentar mais cedo, aquelas de escolaridade baixa e intermediária projetam passar menos tempo aposentadas que os homens de mesmo nível educacional, em termos proporcionais à expectativa de vida total. No geral, as desigualdades por escolaridade nas condições analisadas mostraram-se mais acentuadas entre as mulheres. A idade é o principal fator que organiza a distribuição das expectativas de vida aos 50 anos nas condições de trabalho e saúde, sobrepondo-se aos efeitos de escolaridade e gênero. As evidências apresentadas demonstram que o prolongamento da vida ativa no Brasil dependerá não apenas de ajustes legais, mas sobretudo de transformações estruturais que assegurem condições dignas para que homens e mulheres de todos os estratos socioeconômicos possam viver mais, trabalhar com saúde e alcançar a aposentadoria com autonomia para escolher como desejam vivenciá-la.
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