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Heteroidentificação, judiciário e biografias coletivas: o backlash racial em gramáticas decisórias

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14922

Palavras-chave:

Heteroidentificação, Prosopografia Judiciária, Habitus, Moralidades, Backlash Racial

Resumo

Este artigo examina as disputas de moralidades justificadoras que subjazem à judicialização da heteroidentificação no serviço público federal. O objetivo central é investigar como o perfil biográfico e o habitus dos julgadores modulam as gramáticas decisórias em contestações da autodeclaração racial. Fundamentada na sociologia da crítica de Luc Boltanski e na sociogênese de Frantz Fanon, a pesquisa qualitativa e documental articula a técnica prosopográfica para mapear os eixos educacional, profissional e político dos magistrados. O corpus empírico compreende 30 julgados proferidos entre 2016 e 2021 pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), órgão que concentrou 77% dos litígios no período. Os resultados revelam polarização entre a teoria da autonomia da comissão (reparação coletiva) e a teoria da zona cinzenta (restauração do status quo meritocrático). Conclui-se que o TRF4, ao mobilizar a “dúvida razoável”, opera como dispositivo de backlash racial silencioso, onde a agência biográfica da elite judiciária inscreve justificações redutoras do alcance das políticas afirmativas.

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Biografia do Autor

Mara Beatriz Nunes Gomes, Universidade Federal de Pelotas

Doutora e mestra em Sociologia (UFPel), com distinção de louvor e tese finalista do Prêmio ANPOCS 2025. Bacharela em Direito e membro da ABPN, coordena o Projeto PELEJA, voltado ao trabalho terceirizado no setor público (Edital FAPERGS de Fixação de Jovens Doutores/2025). Pesquisadora de políticas públicas e relações raciais, com expertise teórico-metodológica em comissões de heteroidentificação (UFPel, IFSul e FCC/TRF4).

Marcus Vinicius Spolle, Universidade Federal de Pelotas

Doutor em Sociologia pela UFRGS, mestre em Geografia e graduado em Ciências Sociais, ambas pela USP. Docente do curso de Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) e da Pós-Graduação em Sociologia na UFPel. Coordenador do Projeto PIBID do núcleo de Ciências Sociais, também coordena o grupo de pesquisa Núcleo de Interseccionalidades e participa do Núcleo de Feministas e de Gênero (D'Generus), todos na UFPel.

Postado

27/01/2026

Como Citar

Heteroidentificação, judiciário e biografias coletivas: o backlash racial em gramáticas decisórias. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14922

Série

Ciências Humanas

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