O Acordo Tácito: Por que a pauta do aborto mobiliza tanto o golpismo?
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14570Palavras-chave:
aborto, autoritarismo, backlash antigênero, golpe de Estado, sinais das elitesResumo
Por que o aborto assume papel tão central nas estratégias de mobilização autoritária? O artigo sustenta que essa centralidade decorre de um acordo tácito: elites autoritárias se comprometem a resguardar hierarquias privadas, sobretudo a autoridade masculina, e recebem, em contrapartida, apoio para concentrar poder estatal. A religião fornece parte importante do vocabulário moral, mas não explica o nexo entre rejeição à legalização do aborto e disposição golpista, que deriva desse pacto que articula esfera pública e privada. Com dados do ESEB 2022 e estratégias quase-experimentais, demonstra-se que atitudes sobre o aborto funcionam como marcador independente da pulsão golpista, a qual influenciou o voto em Bolsonaro em 2022. Desse modo, a controvérsia em torno da pauta não é apenas disputa moral: constitui peça central da engenharia política do autoritarismo contemporâneo.
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