DOI do preprint publicado https://doi.org/10.1590/1678-98732433e009
Categorização, estereótipos e estigmas na implementação de políticas públicas: bases conceituais para uma agenda de pesquisa
DOI:
https://doi.org/10.1590/1678-98732433e009Palavras-chave:
burocracia de nível de rua, discricionariedade, interseccionalidade, julgamentos normativos, acesso a serviços públicosResumo
Introdução: O artigo discute como categorização, estereótipos e estigmas podem ser mobilizados para analisar a implementação de políticas públicas no Brasil, um país marcado por altas desigualdades sociais. Embora a literatura internacional e nacional sobre burocracia de nível de rua reconheça o papel da discricionariedade dos agentes, esses conceitos ainda são pouco utilizados de forma sistemática. O objetivo é definir os conceitos, mostrar como foram aplicados na literatura e propor uma agenda de pesquisa ajustada ao contexto brasileiro.
Materiais e métodos:Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, que reúne referências clássicas (Durkheim, Goffman, Yanow, Lamont, Dovidio, entre outros), estudos sobre burocracia de nível de rua (Lipsky, Maynard-Moody & Musheno, Tummers, Brodkin) e trabalhos recentes no Brasil (Lotta, Pires, Cordeiro, Thomazinho, Marins, Costa). O artigo sistematiza definições, aplicações empíricas e lacunas, apresentando sínteses conceituais e de perguntas de pesquisa.
Resultados:A revisão indica que: (i) categorização organiza cognitivamente a realidade, distinguindo cidadãos em categorias oficiais (administrativas) e sociais (morais e culturais), influenciando acesso a direitos; (ii) estereótipos funcionam como atalhos cognitivos ou lentes interpretativas, orientando julgamentos sobre usuários e podendo reforçar desigualdades; e (iii) estigmas desvalorizam grupos ao contrapor identidades reais e idealizadas, com efeitos simbólicos e materiais. A agenda de pesquisa propõe investigar a relação entre categorias sociais e oficiais, os mecanismos de construção e bloqueio de estereótipos e o impacto dos estigmas sobre trajetórias de usuários de serviços públicos.
Discussão:O estudo mostra que esses conceitos ajudam a compreender tanto efeitos materiais (acesso desigual a bens e serviços) quanto simbólicos (identidade, status e reconhecimento). Defende-se a adoção de uma abordagem interseccional, integrando raça, gênero, classe e outros marcadores, para captar como múltiplas opressões atravessam a implementação de políticas públicas. A combinação de desigualdade profunda e políticas universais no Brasil torna o país um caso privilegiado para o debate internacional.
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Copyright (c) 2025 Gabriela Thomazinho, Juliana Rocha Miranda, Giordano Magri, Gabriela Lotta

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