As causas sem lei da covid-19: um experimento descontrolado
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13652Palavras-chave:
covid-19, SARS-CoV-2, seleção natural, seleção artificial, saúde socialResumo
Este artigo busca articular uma explicação causal da pandemia de covid-19 ao colocar em diálogo duas obras aparentemente inconexas: Leis sem causa e causas sem lei na explicação biológica, do filósofo da biologia Gustavo Caponi, e o ensaio “Another Silent Spring”, do historiador ambiental Donald Worster. Caponi, cujo livro foi escrito muito antes da pandemia, oferece ferramentas epistemológicas que ressaltam a relevância tanto das causas próximas quanto das remotas na explicação biológica, destacando a intervenção experimental como uma forma válida de compreensão causal, mesmo na ausência de leis universais. Esse quadro conceitual nos permite interpretar as medidas de saúde pública adotadas durante a pandemia como ações epistemicamente significativas. Worster, por sua vez, atribui as origens da pandemia aos esforços seculares da humanidade para dominar a natureza e tratar seus componentes vivos e inanimados como meros “recursos naturais”. Enquanto o modelo de Caponi nos ajuda a conceitualizar a intervenção como explicação, este artigo argumenta, seguindo Worster, que esses mesmos impulsos produziram o que pode ser denominado paradoxo do controle: quanto mais tentamos dominar os sistemas naturais, mais geramos instabilidade ecológica e risco sistêmico. O resultado é um experimento não intencional, em escala global, com consequências potencialmente catastróficas.">Este artigo busca articular uma explicação causal da pandemia de covid-19 ao colocar em diálogo duas obras aparentemente inconexas: Leis sem causa e causas sem lei na explicação biológica, do filósofo da biologia Gustavo Caponi, e o ensaio “Another Silent Spring”, do historiador ambiental Donald Worster. Caponi, cujo livro foi escrito muito antes da pandemia, oferece ferramentas epistemológicas que ressaltam a relevância tanto das causas próximas quanto das remotas na explicação biológica, destacando a intervenção experimental como uma forma válida de compreensão causal, mesmo na ausência de leis universais. Esse quadro conceitual nos permite interpretar as medidas de saúde pública adotadas durante a pandemia como ações epistemicamente significativas. Worster, por sua vez, atribui as origens da pandemia aos esforços seculares da humanidade para dominar a natureza e tratar seus componentes vivos e inanimados como meros “recursos naturais”. Enquanto o modelo de Caponi nos ajuda a conceitualizar a intervenção como explicação, este artigo argumenta, seguindo Worster, que esses mesmos impulsos produziram o que pode ser denominado paradoxo do controle: quanto mais tentamos dominar os sistemas naturais, mais geramos instabilidade ecológica e risco sistêmico. O resultado é um experimento não intencional, em escala global, com consequências potencialmente catastróficas.
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