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INSURGÊNCIAS VEGETAIS E COLAPSOS ONTOLÓGICOS: UMA LEITURA COMPARADA ENTRE INVASORES DE CORPOS (1955), DE JACK FINNEY, E AS RUÍNAS (2007), DE SCOTT SMITH, PELA PERSPECTIVA DO ECO-HORROR VEGETAL TENTACULAR

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DOI:

https://doi.org/10.1590/2596-304x202527e20251253

Palavras-chave:

eco-horror vegetal tentacular, literatura, crise ambiental, antropoceno

Resumo

Este artigo propõe uma leitura comparada de As Ruínas (2007), de Scott Smith, e Invasores de Corpos (1955 [2020]), de Jack Finney, à luz do conceito de eco-horror vegetal tentacular, com base nas seis teses propostas por Dawn Keetley (2016). A análise parte do entendimento de que o horror ecológico não se limita à representação de catástrofes ambientais, mas configura uma estética que desestabiliza categorias ontológicas da modernidade, como sujeito, linguagem, tempo e agência. Nessas narrativas, a flora deixa de ocupar o papel passivo de cenário para tornar-se força ativa, consciente e indiferente ao humano. Em As Ruínas (2007), a planta devora corpos, simula sons e rompe com os sistemas de sentido dos personagens; em Invasores de Corpos (1955), cápsulas vegetais substituem humanos por duplicatas destituídas de afeto. O horror, em ambos os casos, não é o da destruição súbita, mas da dissolução progressiva da subjetividade, da inteligibilidade e da confiança nos sentidos. O artigo demonstra como essas obras incorporam formalmente a instabilidade ontológica do Antropoceno, recusando explicações reconfortantes e encerramentos tradicionais. Ao perturbar as fronteiras entre humano e vegetal, entre sujeito e ambiente, tais ficções operam uma crítica radical à gramática antropocêntrica que sustenta a narrativa ocidental moderna. Assim, o eco-horror vegetal tentacular se revela não apenas como representação da crise ecológica, mas como operador estético que traduz o colapso simbólico de um mundo centrado no humano — e a possibilidade de imaginar outras formas de existência narrativa e sensível para além dele.

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Postado

26/09/2025

Como Citar

INSURGÊNCIAS VEGETAIS E COLAPSOS ONTOLÓGICOS: UMA LEITURA COMPARADA ENTRE INVASORES DE CORPOS (1955), DE JACK FINNEY, E AS RUÍNAS (2007), DE SCOTT SMITH, PELA PERSPECTIVA DO ECO-HORROR VEGETAL TENTACULAR. (2025). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/2596-304x202527e20251253

Série

Linguística, letras e artes

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito