Estudos Críticos de Autismo: fundamentos e implicações
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17736Keywords:
Autismo, Deficiência, Neurodiversidade, Teoria CríticaResumen
Neste ensaio, investigamos como se constitui uma linhagem crítica de estudos sobre autismo e por quais chaves epistêmicas e políticas ela se diferencia do modelo social da deficiência e da neurodiversidade. Por meio de um mapeamento teórico exploratório da literatura institucionalmente reconhecida no Norte Global e em um diálogo inicial com a produção brasileira, sustentamos que os Critical Autism Studies (CAS) não são um referencial dotado de homogeneidade, mas sim um eixo de disputas a partir do qual inferimos, para fins analíticos, duas orientações parcialmente sobrepostas. A primeira, crítico-emancipatória, contesta narrativas patologizantes e deficitárias e reivindica autoridade epistêmica de autistas; a segunda, aqui denominada genealógico-construcionista, interroga a naturalização do autismo como entidade unitária e autoevidente. Caracterizada esta clivagem, examinam-se determinadas implicações éticas e metodológicas relativas à discursividade do autismo, à redistribuição de autoridade epistêmica, à pesquisa neurobiológica e ao diagnóstico como dispositivo de identidade e de administração jurídico-política. Este mapeamento é relevante para entender alinhamentos e divergências que emergem nacionalmente, no contexto de programas teóricos e políticos situados nas fronteiras porosas entre os CAS, a neurodiversidade e as demandas de autorrepresentação.
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Derechos de autor 2026 Luana Adriano Araújo, Ana Muhlethaler

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