Asiático ou queer? (in)visibilidade e interseccionalidade situada entre imigrantes chineses LGBTQIAPN+ em São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17673Keywords:
marcadores sociais da diferença, interseccionalidade, migração chinesa, sexualidade, etnografiaResumen
Embora os estudos queer frequentemente associem emancipação à visibilidade, a presença asiática permanece pouco explorada na produção brasileira sobre sexualidade e gênero. Imigrantes chineses LGBTQIAPN+ em São Paulo ocupam posições atravessadas por etnicidade, migração e sexualidade. O foco deste trabalho não é a soma dessas identidades, mas como diferentes marcadores se tornam salientes, são suspensos ou reorganizados conforme os contextos de interação. A pergunta central é: como raça/etnicidade e sexualidade são acionadas conforme o campo, a classe e o capital social? A partir de etnografia e entrevistas em profundidade realizadas ao longo de sete anos, argumenta-se que esses marcadores não operam como atributos cumulativos, mas como diferenças situacionalmente mobilizadas. Nos espaços chineses de trabalho e sociabilidade, o acionamento do marcador étnico impõe o fechamento do marcador sexual; nos encontros afetivos com brasileiros, a etnicidade predomina e o sujeito é desejado como tipo, não como pessoa; no espaço público cotidiano, a sexualidade recua e a etnicidade passa a operar de modo antecipatório. Apenas nos espaços de sociabilidade organizados por chineses LGBTQIAPN+ os dois marcadores são reconhecidos ao mesmo tempo, colegibilidade que se mostra condicionada por língua, repertório cultural e classe. Conclui-se que a etnicidade opera menos por seu conteúdo cultural do que por assinalar conectividade de rede, e que visibilidade e reconhecimento não são operações equivalentes.
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- Os dados que sustentam este manuscrito consistem em notas de campo etnográficas e entrevistas em profundidade com imigrantes chineses LGBTQIAPN+ no Brasil, população em situação de vulnerabilidade. Trata-se de material que contém informações sensíveis sobre orientação sexual, identidade de gênero e situação familiar de pessoas que, em sua maioria, não são publicamente identificadas como LGBTQIAPN+ em suas próprias comunidades. A comunidade chinesa no Brasil é reduzida e altamente interconectada, o que torna elevado o risco de reidentificação mesmo com dados anonimizados. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FFLCH-USP mediante compromisso expresso de confidencialidade assumido junto aos interlocutores, e a disponibilização pública desse material violaria tanto esse compromisso quanto os termos da aprovação ética.


