PRENDAS-SERPENTES: MULHERES GAÚCHAS E PERFORMANCES AMBÍGUAS NO PAMPA SOB A LÓGICA DA PLANTATION
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13332Keywords:
feminismos de fronteira, agronegócio, transmutação, plantationoceno, etnografiaResumen
Este trabalho apresenta reflexões iniciais de uma pesquisa de doutorado em andamento, desenvolvida no Pampa brasileiro, com foco na presença de mulheres na lida campeira em meio ao avanço da monocultura da soja e às lógicas plantation. O objetivo é compreender como tais mulheres negociam criativamente as normatividades de gênero, raça e sexualidade que atravessam a construção da “identidade gaúcha”, tensionando os limites entre tradição e dissidência. O percurso metodológico é ancorado na proposta de etnografia popular (Borges, 2009). Neste momento, a investigação encontra-se em estágio inicial, razão pela qual optei por não trazer as vozes das interlocutoras para o texto, priorizando um caráter teórico-reflexivo. A análise parte de referenciais feministas de fronteira (Anzaldúa, 1987) e do Plantationoceno (Haraway et al., 2016; Davis et al., 2019; Chao et al., 2024), tensionando formulações clássicas da antropologia sobre o Pampa, como as de Ondina Fachel Leal (2024), que associam a identidade gaúcha exclusivamente ao masculino. As “prendas-serpentes” são apresentadas como figura conceitual para pensar mulheres que habitam a ambiguidade, a transgressão e os entre-lugares, recusando rótulos fixos e performando a gauchidade de modos múltiplos. A pesquisa aponta, até o presente estágio, que reconhecer essas presenças exige deslocar categorias normativas e abrir espaço para epistemologias corporificadas que revelam a vitalidade do Pampa em transmutação.
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