"NADA NÃO SIGNIFICA NADA”: A IMATERIALIDADE NARRATIVA E AS CONFIGURAÇÕES DA AUSÊNCIA EM NADA ME FALTARÁ
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.11949Keywords:
Lourenço Mutarelli, Nada em Faltará, Arranjador, Montagem, AusênciaResumen
Nada me faltará (2010), sexto romance produzido por Lourenço Mutarelli, é uma narrativa lacunar, construída através da intercalação de vozes nem sempre referenciadas de modo direto no tecido textual. O romance, em essência, sequencia uma série de diálogos e cenas, sem a tessitura explícita de um narrador, revelando signos de ausência que se espalham ao longo de todo o livro, indo desde a escolha do título do romance à construção da linguagem empregada na narrativa, passando ainda pela composição verbo-visual de suas páginas. A partir desses procedimentos, Nada me faltará faz surgir questões referentes à natureza da forma romanesca, aos mecanismos empregados nas configurações dessas ausências e a como o tema perpassa o livro em várias instâncias. Por fim, este artigo revela que, por mais que não haja uma voz narrativa explícita no romance, a história é contada por meio de um “arranjador” (Hayman, 1982), que dispõe as cenas e os capítulo em um certo sentido, empregando o método da montagem (Eisenstein, 2002). Assim, esse arranjador amplia as lacunas e ressalta a materialidade da página, forçando uma maior participação por parte do leitor. Demonstramos, então, que o signo da ausência, além de chave de leitura, é, ao mesmo tempo, tema e procedimento estético utilizado ao longo do romance.
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Derechos de autor 2025 Gabriel Lucas Martins Cavalcanti, Joaquim Adelino Dantas de Oliveira

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