DOI do preprint publicado https://doi.org/10.1590/01031813v63220248675615
UNI, DUNI, TÊ: IDENTIDADE E DRAMATICIDADE NAS MÚSICAS DE SOBREVIVENDO NO INFERNO, DOS RACIONAIS MC’S
DOI:
https://doi.org/10.1590/01031813v63220248675615Palavras-chave:
Rap, Narrativa, Performance, Identidade, ÉticaResumo
A música dos Racionais MC’s, um dos mais importantes grupos do rap brasileiro, retira sua força de um discurso contundente. O rap dos Racionais é uma poesia feita na periferia e que procura se dirigir à própria periferia, quebrada de origem de seus integrantes. Entretanto, seu alcance extrapola esse público de iguais para se voltar também a outros atores sociais. Isso ocorre por terem alcançado muito sucesso, mas também por razões formais características da estrutura das composições. Outro recurso ainda mais significativo é a caracterização de personagens atuando nas músicas, que incluem atores e interlocutores mais abrangentes. Nesse processo, o rap dos Racionais combina a construção de identidades a uma performance que encena e dramatiza posições narrativas e sociais. A partir do disco Sobrevivendo no Inferno (1997), a música do grupo convoca um público amplo e interpela o ouvinte, que precisa se posicionar em relação ao que escuta. O artigo se propõe a averiguar como as letras do grupo passaram a contribuir para esse alargamento do diálogo com os ouvintes. Duas composições, “Diário de um detento” e “Capítulo 4, versículo 3”, são analisadas para entender como, ao dramatizar situações em que diferentes atores sociais se encontram, as músicas obrigam a assumir posições, a participar do drama, de um drama que é o drama das periferias, mas que é também o drama de todos, como essas músicas indicam, convocando não apenas a refletir, mas a participar do jogo de ação e fruição das composições.
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