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DOI do preprint publicado https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.v6.n3.id751
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O processamento de o mesmo como anáfora correferencial

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.7786

Palavras-chave:

rocessamento anafórico, “O mesmo” anafórico correferencial, Compreensão leitora, Psicolinguística

Resumo

Este trabalho tem por objetivo discutir sobre o processamento de “o mesmo” como anáfora correferencial, em contextos nos quais o pronome “ele” poderia ser utilizado, e seus possíveis efeitos na compreensão em leitura. Sabe-se que a anáfora tem importante papel na elaboração de um texto e no seu acesso e compreensão, o que a torna foco de muitos estudos desenvolvidos na área da linguística e da psicologia. Em uma relação correferencial, a forma de retomar um antecedente reflete, também, nos custos de processamento e, por conseguinte, pode afetar a representação mental do texto. Para abordar os aspectos elencados, mobilizam-se neste estudo fundamentos em torno dos processos envolvidos na leitura e, ainda, apresentam-se resultados de teste de leitura automonitorada realizado com 26 estudantes universitários. Para correlacionar o tempo de leitura foram analisadas duas medidas, a saber: o tempo total de leitura da sentença às quais os participantes foram expostos e o tempo de leitura do segmento pós-anafórico. Para além disso, foi avaliada, também, a acurácia das respostas às perguntas de controle de atenção. Embora haja uma visão negativa acerca do uso de “o mesmo” como anafórico, ele cumpre o papel que uma anáfora tem na progressão referencial de um texto, propiciando ao leitor a retomada do antecedente. Isso pode ser demonstrado por meio do resultado do teste ora reportado, no qual foi constatado que não houve diferenças estatisticamente significativas no que diz respeito ao processamento das variáveis testadas. Além disso, no que tange à pergunta de controle de atenção respondida pelos participantes, obtiveram-se os mesmos índices de acertos, tanto em conjuntos sentenciais construídos com “o mesmo” quanto com “ele”.  Os estudos de processamento anafórico têm mostrado o pronome como um elemento linguístico de processamento mais rápido quando comparado à repetição do antecedente, uma vez que o pronome possui menos informações semânticas, o que evita sobrecarga da memória de trabalho. O sintagma “o mesmo”, por sua vez, parece seguir essa mesma lógica. Assim, a partir dos resultados obtidos por meio do teste de leitura automonitorada, o sintagma “o mesmo” parece atuar como elemento de retomada construindo cadeias coesivas e fazendo com que o referente previamente introduzido seja mantido no foco do leitor, da mesma forma que ocorre com o pronome.

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Biografia do Autor

Bruna Alexandra Franzen, Escola de Educação Básica Holando Marcellino Gonçalves SED-SC

Doutora em Linguística, na área de concentração Psicolinguística, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional de Blumenau - FURB (2012). Graduada em Letras Português, Espanhol e Respectivas Literaturas pela mesma Universidade (2010). Obteve bolsa de extensão durante um ano e meio no Núcleo de Estudos Linguísticos (NEL) da Universidade. De 2008 a 2010 obteve bolsa de Iniciação Científica financiada pelo CNPq. Atuou como docente da graduação e da pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura no Centro Universitário Leonardo da Vinci (Indaial/SC). Foi coordenadora do Curso de Letras - Língua Portuguesa e Respectiva Literatura do Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI (Indaial/SC). Atualmente, é professora na Educação Básica e na Educação Técnica. Faz parte do grupo de pesquisa: Grupo de Estudos de Alfabetização (GRUPA / UNESP / CNPq). Está vinculada ao Laboratório Linguística na Escola (LALESC-UFSC) (http://lalesc.com.br). Participa, ainda, do Grupo de Estudos e Pesquisa em Leitura e Compreensão (GEPLEC-UFSC). Tem experiência na área de linguagem, com interesse principalmente nos seguintes temas de estudo: leitura, escrita e ensino da língua portuguesa.

Ana Cláudia de Souza, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora titular do Departamento de Metodologia de Ensino (MEN) e permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade Federal de Santa Catarina. Professora voluntária do doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da Universidade Federal da Fronteira Sul. Doutora em Linguística (2004), na área de concentração Psicolinguística, com pós-doutoramento (2006) pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisadora dos Grupos de Pesquisa: Núcleo de Estudos em Leitura (NEL / UFSC / CNPq), do Grupo de Estudos de Alfabetização (GRUPA / UNESP / CNPq) e do Laboratório de Linguística na Escola (LALESC - UFSC / CNPq). Desenvolve pesquisas sobre leitura e compreensão, considerando aspectos de processamento, aprendizagem e ensino, abarcando também o processo de alfabetização, e sobre formação de professores para ensino de leitura e escrita.

Postado

04/01/2024

Como Citar

O processamento de o mesmo como anáfora correferencial. (2024). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.7786

Série

Linguística, letras e artes

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