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JUSTIÇA DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA-ORDEM

ENCONTRANDO ESPAÇO PARA OS AFETOS NA CRÍTICA SOCIAL

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.3264

Palavras-chave:

Narrativas, experiências, crítica, de(s)colonialidade

Resumo

(Este artigo faz parte de um projeto da Trans/Form/Ação: revista de filosofia da Unesp. Trata-se do Dossiê Filosofia Autoral, a ser publicado em 2022.)

Nas últimas décadas, diferentes abordagens ligadas à tradição de(s)colonial têm movido o pêndulo da crítica de pretensões de universalidade para relatos e experiências particulares. Contudo, nisso que podemos chamar de virada narrativa, não é sempre evidente as justificativas morais de perspectivas em primeira pessoa. A questão que gostaria de explorar neste artigo é se seria possível encontrar relevância epistêmica de relatos e experiências subjetivas na crítica de injustiça. Começo por inverter a questão, partindo do problema da objetividade na crítica diante da particularidade das experiências. A questão, neste caso, é de onde fala o filósofo ou a filósofa na sua intenção de descrever experiências de sofrimento de outras pessoas. Se falamos sempre em primeira pessoa, e se existe algum limite cognitivo ou epistêmico de experiências, de onde viria a capacidade de criticar experiências que não são os nossos? Afinal, como podemos compartilhar experiências de injustiça? Em seguida, defendo que podemos avançar se distinguimos duas dimensões de justiça. Seguindo distinções conhecidas de teorias de primeira e segunda ordem, defendo que reinvindicações ligadas à virada narrativa se referem a demandas de justiça de primeira ordem: trata-se de reconhecer moralmente a pretensão epistêmica dos sujeitos, vendo ali a possibilidade de confrontar noções falhas de universalidade e pontos cegos em teorias da justiça. Contudo, essas pretensões não possuem em si próprias critérios de justificação, requerendo dependências normativas que são externas às próprias experiências – essas, sim, situadas em justiça de segunda ordem. Proponho que esse modelo tem a vantagem de tanto incorporar as vantagens teóricas de teorias de(s)coloniais sem negligenciar os potenciais da crítica da injustiça.

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Biografia do Autor

Filipe Campello, Universidade Federal de Pernambuco

Professor adjunto no Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE – Brasil e pesquisador do CNPq. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1954-0421. E-mail: filipebcampello@gmail.com.

Postado

06/12/2021

Como Citar

JUSTIÇA DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA-ORDEM: ENCONTRANDO ESPAÇO PARA OS AFETOS NA CRÍTICA SOCIAL. (2021). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.3264

Série

Ciências Humanas

Plaudit