O entrelugar e as memórias interculturais entrelaçadas: a atualidade de Silviano Santiago em Partes de África, de Helder Macedo, e Terra sonâmbula, de Mia Couto
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261169Palavras-chave:
Silviano Santiago, entrelugar, memórias interculturais entrelaçadas, colonialismo, estudos pós-coloniaisResumo
Este artigo analisa o conceito de entrelugar, formulado por Silviano Santiago, em diálogo com a noção de memórias interculturais entrelaçadas, inspirada nas reflexões de Edward Said, a partir de uma leitura comparada de Partes de África (1991), de Helder Macedo, e Terra sonâmbula (1992), de Mia Couto. O trabalho discute a contribuição pioneira de Santiago para a compreensão dos processos de tradução cultural, negociação identitária e hibridismo conceitos posteriormente difundidos pela teoria pós-colonial internacional, como no in-between e no Terceiro Espaço de Homi K. Bhabha. A análise demonstra que os dois romances constroem espaços de fronteira nos quais as memórias interculturais entrelaçadas constituem a dimensão temporal, afetiva e histórica dos processos de negociação intercultural inscritos no entrelugar. Conclui-se que a articulação entre essas categorias amplia as possibilidades interpretativas dos estudos comparatistas contemporâneos das produções literárias coloniais e pós-coloniais no Sul Global.
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