Controle e patologização das corporalidades gordas: bases conceituais da chamada “obesidade” em protocolos brasileiros
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18299Palavras-chave:
Obesidade, Medicalização, GordofobiaResumo
Protocolos são recomendações elaboradas de forma sistemática a partir de evidências científicas para auxiliar as decisões de profissionais de saúde. A chamada “obesidade” é tida como uma doença desde 1948, porém estudos mostram que essa classificação não se deu por evidências científicas, epidemiológicas ou laboratoriais. Este artigo objetivou identificar os principais protocolos de “obesidade” atualmente existentes no Brasil e analisar como conceituam “obesidade”. Foi realizada análise documental de cinco protocolos brasileiros e concluiu-se que a maioria (quatro) apresenta o índice de massa corporal (IMC) como critério diagnóstico, ainda que eles mesmos reconheçam as falhas existentes neste instrumento. Acredita-se na ciência baseada em evidências, mas supervalorizam-se estudos quantitativos, os quais nem sempre são suficientes para responder questões relacionadas a anomalias encontradas no paradigma científico atual. A manutenção da patologização e medicalização das corporalidades gordas, baseada numa conceituação frágil e enviesada, permite a consolidação da biopolítica da “obesidade”, onde o controle da massa corporal é uma forma de controle das corporalidades ditas desviantes, perpetuando a gordofobia e o gordo-ódio, que privam as pessoas gordas de acesso a direitos humanos.
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