As Marias de Saramago: sobre o status secundário das mulheres no universo ficcional de O Evangelho Segundo Jesus Cristo
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261126Palavras-chave:
Saramago, Maria de Nazareth, Maria Magdalena, literatura, gênero, religiãoResumo
O artigo analisa a representação das mulheres — com foco em Maria de Nazaré e Maria de Magdala — no romance O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago. A narrativa evidencia como essas personagens vivem em uma sociedade profundamente patriarcal, marcada por normas religiosas que subordinam e silenciam as mulheres. Maria de Nazaré surge como uma figura comum, limitada por papéis tradicionais, enquanto Maria de Magdala, marginalizada como prostituta, ganha centralidade por sua humanidade, compaixão e relação transformadora com Jesus. A proximidade entre as duas revela uma solidariedade feminina fundada na dor compartilhada e na exclusão estrutural. O estudo demonstra que Saramago questiona discursos religiosos e sociais que perpetuam a inferioridade feminina, sugerindo paralelos críticos com desigualdades de gênero ainda presentes na modernidade.
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