A legitimação da objetificação e da violência contra as mulheres em O Conto da Aia
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18089Palavras-chave:
Discurso religioso, Tradição religiosa judaico-cristã, MisoginiaResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar a correlação entre discurso religioso e objetificação e violência de gênero na obra O Conto da Aia, de Margaret Atwood, publicada em 1985, e em sua adaptação televisiva criada por Bruce Miller, exibida a partir de 2017. A narrativa apresenta uma realidade distópica em que o pânico gerado pela queda nas taxas de natalidade leva as elites estadunidenses a instaurarem um regime teocrático e totalitário. Nesse contexto, a liberdade e os direitos das mulheres são sistematicamente suprimidos e elas passam a ser reduzidas à condição de propriedades e objetos do Estado, utilizadas principalmente como instrumentos de reprodução e ordem. As práticas violentas e opressivas são justificadas por meio de interpretações misóginas de textos sagrados, em nome de Deus e da preservação da ordem social. Tal obra é carregada de violências, principalmente contra as mulheres, elucidando práticas misóginas e sexistas. Neste trabalho, me proponho a caracterizar e apontar como o discurso religioso atua como um recurso de legitimação da objetificação do corpo feminino e da violência contra as mulheres dentro desse sistema opressor criado por Atwood, em O Conto da Aia. Para tanto, faz-se necessária uma apresentação da obra, da sociedade distópica criada pela autora e de suas personagens, com ênfase nas figuras femininas, a fim de compreender as referências e as discussões que dela decorrem.
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