Reflexões sobre a vaidade dos homens, de Matias Aires: uma obra pessimista de filosofia no Brasil?
DOI:
https://doi.org/10.1590/0101-3173.2026.v49.n2.e026013Palavras-chave:
Matias Aires, Filosofia brasileira, Pessimismo, Teoria da argumentação, VaidadeResumo
O artigo examina as Reflexões sobre a vaidade dos homens (1752), de Matias Aires (1705-1763), a partir de uma dupla perspectiva. Em primeiro lugar, investiga-se a possibilidade de considerar a obra como expressão de uma filosofia brasileira, não obstante suas inegáveis influências europeias. Para tanto, mobilizam-se contribuições de estudiosos brasileiros como Cruz Costa, Alcides Bezerra e Jacinto do Prado Coelho, que fornecem elementos para pensar a originalidade do pensamento produzido no Brasil colonial. Em segundo lugar, analisa-se a estrutura argumentativa do pessimismo airisiano com auxílio da teoria da argumentação de Perelman e Olbrechts-Tyteca, identificando três tipos de razão que fundamentam sua visão pessimista: o argumento do sacrifício inútil, o argumento do contágio universal e irreversível das ações humanas pelos seus vícios e o argumento da depreciação do comum pela coexistência entre a pessoa e seus vícios. Conclui-se que o pessimismo de Matias Aires, embora radical em sua dimensão antropológica, preserva a possibilidade de uma intervenção providencial redentora, o que confirma uma especificidade de sua visão de mundo metafísica.
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