Discurso de ódio, disputas sobre a verdade, epistemicídio e crise democrática no Sul Global
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17976Palavras-chave:
datificação, decolonialidade, democracia, discursos, epistemicídio, ódio, pós-verdade, vulnerabilidadeResumo
Este artigo examina a relação entre discurso de ódio, disputas contemporâneas sobre a verdade e a crise da democracia, situando a análise numa perspectiva epistêmica do Sul Global. Argumenta-se que a datificação social, a inteligência artificial generativa e a governança algorítmica não são fenômenos neutros, mas sim atualizações de genealogias históricas de dominação que, simultaneamente, corroem a qualidade da deliberação democrática e aprofundam as desigualdades preexistentes de raça, gênero e classe. Recorrendo à sociologia da comunicação, ao direito, à ciência política e à teoria decolonial, o artigo propõe compreender o discurso de ódio como uma forma de poder que se articula com a pós-verdade para esvaziar os processos democráticos de conteúdo e produzir epistemicídio — isto é, a destruição sistemática do conhecimento situado. Através de uma revisão crítica de fontes normativas e acadêmicas, este texto examina os marcos regulatórios internacionais relativos ao discurso de ódio, discute as experiências latino-americanas de polarização e desinformação e argumenta que a crise democrática contemporânea no Sul Global assume características únicas ligadas à fragilidade institucional herdada do colonialismo. Conclui destacando a necessidade de uma comunicação decolonial e de um ensino superior politicamente situado, capaz de gerar comunidades epistêmicas pluralistas que, a partir do Sul Global, desafiem tanto o monopólio da verdade quanto o próprio significado da democracia diante das plataformas digitais do Norte Global.
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