Mitos fundadores, memória coletiva e narrativas: perspectivas de crianças sobre o Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17958Palavras-chave:
mitos fundadores, memória coletiva, identidade nacional, ensino fundamental IResumo
Este artigo objetiva compreender quais elementos dos mitos fundadores do Brasil são (re)apropriados por estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública e como essas narrativas participam da construção de sentidos sobre identidade nacional, relações sociais e convivência. Desenvolveu-se pesquisa qualitativa, com uso complementar de dados quantitativos descritivos, em uma escola municipal do interior paulista, envolvendo 103 estudantes de cinco turmas e cinco professoras. Foram utilizados questionários com questões abertas e fechadas e entrevistas semiestruturadas, analisados mediante procedimentos descritivos, análise temática e triangulação das fontes. Os resultados revelam amplo reconhecimento do racismo, inclusive no espaço escolar, coexistindo com discursos de igualdade e miscigenação. No campo religioso, a aparente convivência harmônica entre diferentes pertencimentos contrastou com a menor visibilidade da umbanda. Verificou-se, ainda, baixo reconhecimento das expressões associadas às narrativas do Brasil como país “abençoado por Deus”, “país do futuro” e marcado pelo “jeitinho”, embora elementos de seus conteúdos simbólicos tenham emergido nos dados. Os achados indicam que o desconhecimento das formulações consagradas não implica o desaparecimento de seus conteúdos simbólicos, assim como seu reconhecimento não significa adesão. Conclui-se que os mitos fundadores não permanecem como narrativas intactas, mas são apropriados, tensionados e ressignificados, evidenciando a escola como espaço de circulação e disputa de sentidos sobre a sociedade brasileira.
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Os dados de pesquisa não podem ser disponibilizados publicamente
- Os dados que fundamentam os resultados deste estudo não estão disponíveis publicamente em razão de questões éticas relacionadas à proteção da privacidade e à confidencialidade dos participantes da pesquisa, que envolve crianças e professoras de uma instituição de ensino. A disponibilização dos dados brutos, especialmente das respostas abertas aos questionários e das entrevistas, poderia possibilitar a identificação direta ou indireta dos participantes e da instituição investigada. Dessa forma, optou-se pela não disponibilização pública dos dados, em consonância com os procedimentos éticos adotados na pesquisa e com a preservação do anonimato e da confidencialidade dos participantes.


