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A face impeditiva da judicialização: o controle do Ministério Público sobre a contratação de artistas por inexigibilidade

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17844

Palavras-chave:

Situação de emergência e Estado de calamidade pública, judicialização de políticas públicas, judicialização de contenção do gasto público

Resumo

Este artigo analisa uma assimetria pouco explorada na literatura sobre judicialização de políticas públicas no Brasil. Enquanto os estudos se concentram nas decisões judiciais que determinam ao Estado o custeio de direitos sociais, especialmente nas áreas de saúde e educação, este trabalho examina o movimento inverso. Analisa-se a atuação do Ministério Público, em articulação com o Poder Judiciário, para impedir gastos públicos decorrentes da contratação de artistas por inexigibilidade de licitação em pequenos municípios. A pesquisa busca compreender como essa forma de atuação se manifesta empiricamente. O foco recai, em especial, sobre municípios submetidos a decretos ou reconhecimentos de situação de emergência ou calamidade. Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, baseada em estudo de casos múltiplos, a partir da análise de Ações Civis Públicas e decisões judiciais. A amostra reúne cinco municípios centrais e dois casos complementares, distribuídos por cinco estados brasileiros, no período de 2022 a 2026. Os resultados sugerem um padrão decisório emergente, ainda não consolidado em jurisprudência vinculante, que associa a desproporção do valor da contratação artística à capacidade financeira do município e à emergência ou calamidade vigente, mesmo quando a inexigibilidade apresenta regularidade formal. Os casos também revelam mecanismos institucionais de autorregulação voltados à antecipação desse controle, cuja efetividade é limitada diante de situações de descumprimento. Propõe-se, a partir desses achados exploratórios, a judicialização de contenção do gasto público como categoria analítica inicial, capaz de ampliar a compreensão da judicialização de políticas públicas no Brasil e de orientar pesquisas futuras com amostras mais amplas, contribuindo para o debate teórico e empírico nos campos do direito administrativo e do direito financeiro.

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Biografia do Autor

Mirian Assumpção e Lima, Universidade Federal de Ouro Preto

Professora Associada do Departamento de Gestão Pública da UFOP. É tenente-coronel veterana da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. É fellow da Ashoka desde outubro de 2002. Foi secretária de Planejamento e Gestão do município de Ouro Preto/MG (2009/2010). Atua nos seguintes temas: contribuições da prática para a pesquisa, mídias sociais, polícia, orçamento e finanças públicas, planejamento e gestão pública.

Helton Cristian de Paula, Universidade Federal de Ouro Preto

Atualmente requisitado pelo Ministério da Fazenda, atuando na Secretaria de Reformas Econômicas, lidando com temas de regulação do mercado financeiro. Ampla experiência como professor do magistério superior, sendo seis anos como coordenador institucional de programa de educação a distância e quatro anos como diretor de unidade acadêmica na UFOP. Interesse em pesquisas sobre inovação, otimização de processos e regulação de mercados. 

Enviado

01/09/2026

Postado

18/09/2026

Como Citar

A face impeditiva da judicialização: o controle do Ministério Público sobre a contratação de artistas por inexigibilidade. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17844

Série

Ciências Humanas

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