Próteses de raça e próteses contra a raça: a produção de vida no assentamento Arizona/RN e os limites da racialização
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17830Palavras-chave:
próteses, mulheres negras, assentamento rural, Rio Grande do Norte, materialidadeResumo
A partir da revisão dos resultados da dissertação de mestrado sobre os quintais produtivos do assentamento Arizona, no município de São Miguel do Gostoso/RN, é perceptível que as materialidades se transformam junto dos processos de sucateamento, violência e luta por dignidade e respeito. Neste artigo propomos que a relação das mulheres negras do Arizona com a materialidade aponta para compreensão da raça como uma prótese “discursiva-biológica-espacial”: construída discursivamente, grudada na biologia humana, produtora do espaço e passiva de “desprostetificação”. Na luta cotidiana pela vida, a inventividade técnica das mulheres e as pedagogias que elas apreendem com as experiências de violência se misturam, transformando a migração em permanência através da prostetificação de árvores frutíferas nos quintais; a sede se transforma em fartura através da prostetificação das geladeiras-reservatório-de-água e das calhas; e a solidão em solidariedade entre as mulheres, sobretudo das idosas, por meio da produção alimentar no quintal. Nessa relação prostética entre corpo-objeto-território a raça parece se tornar, mesmo que momentaneamente, obsoleta.
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