DO CUIDADO AO PERTENCIMENTO: CADEIAS GLOBAIS DE CUIDADO E PRODUÇÃO DA INDOCUMENTAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17796Palavras-chave:
cadeias globais de cuidado, migração, pertencimento, justiça migratória, indocumentação socialResumo
Este artigo analisa as cadeias globais de cuidado a partir da relação entre trabalho, pertencimento e indocumentação social. O objetivo é discutir em que medida as relações de dependência, proximidade e desigualdade que estruturam o trabalho de cuidado realizado por mulheres migrantes também podem participar de processos sociais de classificação e reconhecimento associados à condição de indocumentado. Metodologicamente, o artigo desenvolve uma análise teórica e bibliográfica, articulando a literatura sobre cadeias globais de cuidado às contribuições da teoria feminista da justiça migratória e aos debates sobre ilegalidade e indocumentação social. Mobiliza, particularmente, Hochschild (2000), Parreñas (2015) e Yeates (2012) para caracterizar as desigualdades presentes nas cadeias de cuidado; Young (1990), Wolf (2025) e Anderson (1999) para analisar opressão, desigualdade relacional e pertencimento; e De Genova (2002) e Reed-Sandoval (2020) para discutir a produção social da ilegalidade e da indocumentação. Argumenta-se que as cadeias globais de cuidado constituem contextos sociais nos quais participação e indispensabilidade podem coexistir com formas hierarquizadas de pertencimento. A noção de indocumentação social acrescenta a essa análise a possibilidade de que processos de classificação e reconhecimento ultrapassem o status migratório formal.
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