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Perfis algorítmicos e democracia: meta-identidades, poder classificatório e contestabilidade na esfera pública digital

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17781

Palavras-chave:

meta-identidade, decisão automatizada, contestabilidade, administração pública, transparência algorítmica

Resumo

A crescente delegação de decisões a sistemas de inteligência artificial, em organizações públicas e privadas e em plataformas digitais, tem produzido classificações que condicionam acesso, direitos, oportunidades e reconhecimento, muitas vezes sem que os classificados saibam sob que critério foram avaliados. Este artigo investiga esse fenômeno a partir do conceito de meta-identidade, que é a classificação que uma infraestrutura sociotécnica atribui a alguém por dedução, conserva como referência e utiliza para tratá-lo de modo diferente e levanta o questionamento de porque a possibilidade de contestar decisões automatizadas, formalmente assegurada no direito administrativo, não alcança o critério que as produziu. O argumento se desenvolve em três planos articulados. No plano teórico, distinguem-se quatro modos de existência de uma classificação, a partir do uso corrente, arquivo, referência e registro documental.  A partir disso, se mostrou que apenas o registro documental se torna recorrível, ainda que, por derivar dos demais, selecione o que informa, sem que instrumento algum de controle verifique sua fidelidade ao que efetivamente operou. No plano empírico, um estudo publicado que comparou classificações humanas e algorítmicas de 150 obras audiovisuais revela o mecanismo central a partir da compressão de categorias particulares em rótulos amplos e reutilizáveis, que torna inarticulável a alegação de singularidade. No plano documental, a reconstituição do caso brasileiro do Sistema Córtex (2018–2026), maior plataforma estatal de integração de dados e vigilância, demonstra, em fonte primária, como a assimetria de contestabilidade pode ser produzida pela própria forma legal. Conclui-se que a disputa democrática sobre decisões automatizadas depende menos de ampliar procedimentos de recurso, já existentes, do que de tornar auditável a correspondência entre o critério registrado e o critério aplicado.

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Biografia do Autor

Camila Sayuri Shirakura, Universidade Estadual de Maringá

Camila Sayuri Shirakura é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Investiga a relação entre captura tecnológica, poder do Estado e direitos dos cidadãos.

Allan Herison Ferreira, Universidade Nova de Lisboa

Allan Herison Ferreira é  doutorando em Ciências da Comunicação na Universidade NOVA de Lisboa (ICNOVA) e pesquisador do LAPS/USP; investiga classificação algorítmica, plataformas digitais e o conceito de meta-identidade

Ana Carolina Trevisan, Universidade Nova de Lisboa

Ana Carolina Trevisan é doutoranda em Ciências da Comunicação na NOVA de Lisboa, com bolsa da FCT no IFILNOVA. Mestre em Sociologia pela USP, pesquisa estratégias argumentativas em redes sociais, sociologia política e análise socioargumentativa.

Belén Casas Mas, Universidad Complutense de Madrid

Belén Casas Mas Belén Casas Mas possui um doutorado europeu em Comunicação Social. Ela é pesquisadora principal do projeto de P&D: 3PS-DECODE: “Polarization, Populism, and Post-Truth in Digital Political Communication: Decoding Democracy Through Big Data Analysis".

Enviado

01/09/2026

Postado

01/09/2026

Como Citar

Perfis algorítmicos e democracia: meta-identidades, poder classificatório e contestabilidade na esfera pública digital. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17781

Série

50º Encontro Anual da ANPOCS

Dados de financiamento

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão disponíveis sob demanda, condição justificada no manuscrito