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A morte tem cor? A produção sociotécnica da subnotificação racial nas estatísticas de homicídios no Ceará (2015–2025)

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17780

Palavras-chave:

Sociologia da Quantificação, Subnotificação racial, Homicídios

Resumo

Este trabalho investiga como processos sociotécnicos e institucionais produzem a subnotificação racial nas estatísticas de homicídios no Ceará, contrapondo os bancos de dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) entre 2015 e 2025. A pesquisa parte da discrepância entre as classificações de cor/raça “Não Informado” e “Ignorado” atribuídas por policiais civis e médicos legistas sobre um mesmo corpo em diferentes documentos, buscando compreender como os instrumentos de registro dos dois sistemas produzem (ou deixam em aberto) a classificação de cor/raça das vítimas de homicídio. Recorre-se à sociologia da quantificação (Desrosières, Camargo) e aos estudos sociais da ciência (Latour; Bowker e Star), aliados à perspectiva bourdieusiana de objetivação, para tratar os formulários e os sistemas de informação como dispositivos de inscrição, e as classificações raciais como algo que se produz na relação com e através deles. Argumenta-se que a obrigatoriedade de preenchimento não elimina as incertezas classificatórias de raça/cor nos processos de registro, podendo deslocar a não-informação para formas de estabilização estatística que organizam a legibilidade racial da violência.

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Enviado

01/09/2026

Postado

02/09/2026

Como Citar

A morte tem cor? A produção sociotécnica da subnotificação racial nas estatísticas de homicídios no Ceará (2015–2025). (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17780

Série

50º Encontro Anual da ANPOCS

Plaudit

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