Mímesis da fé e práxis jesuítica: imaginação, retórica e exercício espiritual em José de Anchieta
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261139Palavras-chave:
Mímesis da fé, forma mentis, retórica religiosa, representaçãoResumo
O artigo propõe uma leitura da obra de José de Anchieta a partir da noção de mímesis da fé, compreendida como princípio estruturante da forma mentis jesuítica no contexto colonial do século XVI. Distanciando-se tanto das abordagens hagiográficas quanto das leituras exclusivamente condenatórias da ação missionária, analisa como a espiritualidade da Companhia de Jesus — especialmente os pressupostos dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola — organiza regimes de representação, imaginação e afetividade. A partir da análise de poemas devocionais e demais obras, demonstra-se que a mímesis anchietana não visa à imitação do real sensível, mas à produção de imagens orientadas pela pedagogia do olhar religioso. Metodologicamente, o estudo dialoga com a história das mentalidades e com reflexões sobre o medo e a imaginação, compreendendo a mímesis e a retórica de Anchieta a partir de teóricos como Costa Lima e Hansen, como prática cultural inscrita na experiência colonial.
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