A Gênese colonial da literatura moderna: escrita, poder e colonização na América portuguesa do século XVI
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261130Palavras-chave:
literatura, colonialidade, gêneros discursivos, Renascimento, América portuguesaResumo
O artigo investiga a gênese colonial da literatura a partir da circulação e reconfiguração de gêneros discursivos no espaço atlântico do século XVI, tomando a América portuguesa como laboratório comparativo dos regimes de escrita do Renascimento tardio. O objetivo é problematizar o anacronismo do conceito moderno de literatura e propor uma abordagem funcional do literário como sistema heterogêneo de práticas textuais (cartas, crônicas, cartinhas, catecismos, gramáticas, poesia e teatro) articuladas a catequese, administração e classificação do mundo. A metodologia combina análise discursiva, exame lexicográfico e comparação transcontinental de gêneros, com atenção especial à obra polimórfica de José de Anchieta. Argumenta-se que o Brasil colonial não constitui periferia imitativa, mas espaço de intensificação e experimentação genérica, no qual se consolidam formas que antecedem a autonomização estética do literário. Conclui-se que a literatura moderna emerge historicamente atravessada pela colonialidade.
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Números do Financiamento 304456/2022-5
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