Futuros, complexidade e transformação do Estado
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17649Palavras-chave:
transformação do Estado, estudos de futuros, letramento em futuros, pressupostos antecipatórios, imaginário social, governança antecipatóriaResumo
Este artigo propõe deslocar o debate sobre a transformação do Estado da camada dos instrumentos — plataforma, indicador, processo — para uma camada anterior e menos visível: a forma como o Estado torna a realidade legível antes de agir sobre ela. Articulando três campos — a ontologia relacional, a teoria da complexidade e os estudos de futuros e da antecipação —, argumenta-se que esses referenciais servem, antes de tudo, para pensar melhor o presente. O texto desenvolve quatro contribuições. Primeiro, relê o problema público como configuração de relações e a política pública como operação de legibilidade que institui mundos. Segundo, mobiliza a distinção entre domínios simples, complicado, complexo e caótico para mostrar por que a clareza operacional pode produzir cegueira relacional. Terceiro, distingue três registros do futuro na ação pública — risco, incerteza e antecipação — e examina como o futuro age no presente por meio de pressupostos antecipatórios. Quarto, propõe uma leitura topológica do imaginário administrativo e o conceito de capital de imaginação institucional, articulando o letramento em futuros à sociologia do imaginário de tradição durandiana. Conclui defendendo uma governança antecipatória democrática, que institucionaliza a capacidade de antecipar sem fechar o futuro em nome do inevitável.
Downloads
Enviado
Postado
Como Citar
Série
Copyright (c) 2026 Felipe Koch

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Plaudit
Declaração de dados
-
Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito


